A incompreensão de profissionais de áreas educacionais para com os profissionais de EF no desenvolvimento de programas e projetos dentro da escola.

Nuthin' but net

Na escola tratamos de comportamentos diariamente, mas nesse post o comportamento não será relatado sobre as crianças em relação à mim, mas sobre como alguns grupos de profissionais da educação me veem como professor de Educação Física. Não só a mim, mas grande parte de profissionais da Educação Física que em algum momento, há tempos ou recentemente, sofrem alguma discriminação em relação ao nosso papel dentro da escola.

Parecerá um desabafo, e na verdade é mesmo, então deixo o meu protesto no meu blog, local onde posso expor minhas conquistas e, por que não, minhas frustrações? Dá-se ao fato de que sou professor há onze anos, com bagagem em mais de 15 empresas nas áreas fitness e educacional, ministrando aulas em escolas bilíngues há quase sete anos, atingindo o patamar das maiores escolas do Brasil e me tornando referência na Educação Física bilíngue em São Paulo, mas ainda assim, sendo menosprezado perante professores de outras especialidades dentro do mesmo ambiente de trabalho. Diversas vezes nesse semestre, quando desenvolvemos reuniões de apresentação de projetos e atividades realizadas com as crianças, escutei umas três vezes a seguinte pergunta: “…e aí Felippe, qual é o seu projeto? É sobre fazer embaixadinhas para as crianças?…”

É complicado quando um profissional da área educacional de escolas de alta gama da maior cidade do Brasil, quando o que se espera é a flexibilidade de pensamento sobre as diferentes formas de aprendizagem que a criança se submete, como educador dessas crianças, desrespeita de uma forma baixa e inconsequente um profissional atuante no mesmo patamar social que ele está inserido, ou seja, você menospreza a sua própria classe. Mas a cultura da Educação Física está inserida nesse âmbito, afinal, seremos sempre vistos como os professores que não trabalham, mas brincam; não planejamos, apenas jogamos a bola na quadra e deixamos as crianças fazerem o que querem; somos privilegiados porque usamos bermuda e camiseta ao invés de camisa e sapato; não nos inserimos aos projetos pedagógicos porque não queremos nos misturar, mas não porque não atinge o requisitos básicos da Educação Física descritos no BNCC (feito pelo MEC aliás) que devemos seguir, etc. Muitas coisas, muitas coisas…

Fui chamado de preguiçoso e desorganizado, isso foi o que eu escutei, fora o que eu não escutei que deve ser dito nas minhas costas e nas costas de muitos profissionais de Educação Física que estão prestando serviços para a sociedade e somos taxados por “n” perfis e características que nos denigre, porém, pouco vinculados como educadores – o profissional que ensina e forma um cidadão.

A educação do nosso país não começa pelo governo que tanto criticamos, seja ele de direita ou esquerda, mas pelo povo que nos enxerga como profissionais de pouco valor, e ainda, criticado pela própria classe de trabalhadores.

Essa é a cruz que eu vou carregar e meus amigos carregarão também, mas que nunca vou largar, porque sei dos valores que nós professores de Educação Física temos.

 

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