2 estratégias para amenizar atritos nas aulas de Educação Física.

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Quem nunca se deparou com aquele aluno que no meio da aula de PE começa a dar um show à parte? Geralmente porque perdeu algum jogo ou não quer fazer a brincadeira longe de seu(sua) melhor amigo(a).

A semana está apenas na metade e já tive duas diferentes situações “críticas” que discutimos na escola sobre estratégias de resolução. Hoje vou falar das duas que deu certo, mas que não necessariamente pode dar certo, afinal, não estou aqui para “florear” as práticas educacionais e fingir que todas as abordagens dão certo.

A primeira foi em massa, algo como uma rebelião. Isso mesmo, uma turma de 22 alunos de 5/6 anos de idade com muito açúcar no sangue na última aula do dia depois de terem ficado horas “trancados” na sala de aula e se comportando para realizar as tarefas pedagógicas. Quando chegam na quadra não há deus que faça as crianças sentarem no banco para escutar os planos da aula. Costumo até aproveitar a euforia da massa para correr, pular, cair no chão e, as vezes, até gritar junto com eles para começar o processo de transição – o tão almejado “calm down and listen to me carefully”.

Situação problema 1:

Depois de algumas brincadeiras direcionadas com bambolês, as crianças mereciam participar de alguma/algum brincadeira/jogo que gostam bastante – o Dodge Ball. Fazia tempo que não proporcionava para essa turma o jogo, então separei em dois times e a confusão começou logo na escolha das equipes. Na verdade, durante a escolha das equipes foi tranquilo, mas na hora em que separei as equipes, cada uma no seu lado da quadra, começou uma “brincadeira” de ameaças entre integrantes das equipes que me pareceu bastante competitivo, algo com um tom até de agressividade entre elas. Nesses casos algumas crianças podem se sentir até coagidas na brincadeira, causando um desconforto dentro da aula de PE.

Estratégia utilizada:

Como não conseguiam se conter, utilizei uma estratégia de me sentar e aguardar as crianças perceberem que o jogo não começava porque elas mesmas estavam provocando tal atraso (lógico que isso é um trabalho que tem sido praticado por cerca de 6 meses antes das férias de Julho. Lembro que no começo do ano tentei várias estratégias, inclusive essa. Sem êxito). Com o passar do tempo, conforme fui conhecendo as crianças da turma, fui comentando que estava um pouco triste porque queria brincar com elas ao invés de ficar sem “fazer nada” nas aulas de PE. Aos poucos fui percebendo que elas queriam brincar comigo e que se me vissem “chateado” tomariam a atitude de se acalmarem e me respeitarem para poder brincar posteriormente. Hoje deu certo! Estavam bagunçando, parei por alguns minutos e deixei que percebessem por si só que a bagunça generalizada não levaria à lugar algum, apenas ao não brincar. Ainda recebi a orientação das canadenses que se tentar falar enquanto bagunçam e gritam, a probabilidade de te respeitarem é mínima. É preciso fazer com que se acalmem e façam silêncio para que possamos expor o nosso descontentamento em relação à situação problema. É a melhor forma de realmente te escutarem!

Situação problema 2:

Com uma turma um pouco mais nova (3 e 4 anos), enquanto as crianças escolhiam os bambolês, duas pegaram o mesmo bambolê ao mesmo tempo. A reação delas foi puxar para si própria podendo até quebrar ou entortar o bambolê.

Estratégia utilizada:

Eu nem precisei utilizar estratégia nenhuma. Enquanto caminhava para conversar com ambas e acalmar os ânimos, percebi que as duas crianças de uma forma muito calma pararam de puxar e jogaram “rock-paper-scissors” e decidiram na sorte quem iria brincar com o bambolê primeiro. Quando cheguei no local elas já tinham terminado e quem perdeu o jogo cedeu de forma amigável o bambolê para o vencedor. Nesse momento a criança que perdeu a disputa imediatamente procurou outro bambolê e não houve drama. Somente acrescentei para ambas que após um determinado período elas deveriam compartilhar os bambolês para que ambas pudessem brincar um pouco com cada cor de bambolês. Essa estratégia está sendo utilizada dentro da sala de aula e ajudou na solução de atritos dentro da Educação Física. Faz parte do programa de disciplina positiva da escola.